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Zézé Camarinha (pouco industrial, eu sei mas....)

BEYONDRUPTURE
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Quinta-feira, Junho 19, 2008
O Próximo Nobel é da Praia da Rocha

É português, o próximo Nobel. Saramago, essa velha raposa comunista, diz que só haverá um Nobel aqui do burgo quando ele perecer. Ele está (novamente) errado. Claramente o Zezinho não leu o livro de Zezé Camarinha. Pois é amiguinhos! O Zezé editou um livro, distribuído pela D. Quixote. Ou seja: Carrilho, depois Carolina Salgado, e, agora, Zezé Camarinha. Têm claramente vindo a melhorar a qualidade da edição, parabéns aos editores.
O livro, denominado “O Último Macho Man Português” deveria ser presença obrigatória na mesa de cabeceira de qualquer homem que se preze.
O Nobel está garantido meus amigos, vou neste momento abrir o livro aleatoriamente e vou vos transcrever algumas passagens. José Luís Peixoto, rói-te de inveja.
Cá está, abri o livro e calhou-me um capítulo sobre sexo oral. Vamos ver o que Zezé tem a dizer. Ah, o capítulo é naturalmente intitulado “A Língua D’ouro”.
“Eu, como tinha despertado muito cedo para o mundo dos prazeres carnais, tinha muita curiosidade em experimentar uma boa trombada”.
Zezé aborda o facto de o sexo oral ser visto como uma prática proibida na época:
“Era como ter um turbo no carro, mas não o utilizar”.
Que linda analogia.
“Meu dito, meu feito! Nas primeiras oportunidades que tive de dar uma boa trombada, não hesitei em atirar para lá o bigode.”
Que uso tão cuidado da língua portuguesa..
“Nessa noite estive horas a brincar com o sininho da Mary” e “dar-lhe beijinhos na fridinha” ilustram bem o vocabulário extenso de Zezé, no que toca às partes intimas femininas.
Depois há um capítulo sobre uma viagem que poderia ter corrido mal. Nele, Zezé diz o seguinte:
“Quando ela me mandou calar, eu passei-me a coisa começou a aquecer. Não é que a gaja estava armada em artista? Estava armada em galifona e a deixar-me ficar mal perante aquela gente?! Foi quando lhe disse novamente que tinha de prestar atenção ao macho porque há gente que gosta de coisa e tal com o Zezé, mas não sabe os termos do contrato!”
A maneira como Zezé eleva a figura feminina, como a canta, a descreve, a torna na musa do poeta, é inspiradora.
Já noutro capítulo, Zezé versa sobre etiqueta e boas maneiras:
“Estamos num restaurante e as boas maneiras dizem que a mulher deve ficar sentada para a sala. ESTÁ ERRADO! Primeiro porque o homem é que tem de ficar a controlar o que se passa à volta e a mulher deve ficar virada para a parede. Assim não consegue deitar o olho a ninguém.”
Qual Paula Bobone, qual quê.
“Eles têm que sentir que têm concorrência, que não são as únicas gajas do lugar.”
Vejamos aqui mais um exemplo da mestria de Zezé no que toca a figuras de estilo:
“No meu bar caem muitas camones… É como se fosse uma teia. Se lá caírem é só espetar-lhes o ferrão.”
Claro que o livro não podia deixar por terra o domínio da língua inglesa:
“- Darlin… iu cane take pictures…it’s all right! Go, go inside! Is my car, ok!"
Mais um exemplo, seguido de uma demonstração de carinho pela figura feminina:
“ Look, my bar…you like to have somesing to drink? Maybe watere, some jusse...
Sim… Eu não ofereço bebidas alcoólicas! Não gosto de ver as mulheres bêbedas porque perdem o respeito ao macho”.
Meus amigos, corram e vão comprar esta obra de arte. Todas as citações foram tiradas de páginas abertas ao acaso. Imagino o que não há no resto do livro!
Zezé, és grande.

in www.piorqueosputos.blogspot.com/




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