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O síndrome Trve no panorama elektro/industrial/afins

Glamour Diesel
Posts: 1378
Joined: 2006-08-07

Exceptuando uma pequena fase da minha vida onde a minha cabeça era um quadrado que só via metal, sempre fui bastante open-minded (muito embora o meu ouvido se sinta desde sempre mais confortável nos horizontes mais alternativos do panorama musical). Fui introduzido à sonoridade electronica/industrial de uma forma mais intensa em meados de 1996, tinha eu 16 anos e desde aí sempre fui acompanhando a evolução da cena. Confesso que ao início sentia algum conforto no facto de aparentemente as pessoas que ouviam este estilo (única e exclusivamente ou não) não sofrerem do síndrome que afecta de há muitos anos para cá as hordes do metal em todo o mundo. O factor "trve". O tempo mostrar-me-ia que estava enganado. O factor "trve" existe, ainda que de uma forma mais camuflada, dentro do panorama do industrial/elektro/afins. Posso explicar isto com dois exemplos distintos:

Exemplo 1: Metaleiro trve ao ouvir que a sua banda de black metal preferida vendeu mais de 666 discos:
"Vendidos do caralho, morram! Também, que se foda, nunca curti muito sequer essa banda de merda...."

Exemplo 2: Gajo do Industrial/Elektro/Afins (deviam inventar um termo tuga para isto, lol) ao aperceber-se de que agora toda a gente gosta da banda X.
Reacção 1: Não Reage.
Reacção 2: Reage com desdém.
Reacção 3: Diz algo do género "Nunca curti muito isso" ou "Detesto isso" - acontecimento mais raro

O ponto a que quero chegar é o seguinte, é normal não se gostar de uma banda ou simplesmente não se simpatizar com uma ou outra atitude ou factor relacionado com a mesma, mas é algo fútil e infantil deixar de gostar de algo só pq "já muita gente gosta". E outra coisa inegável, é que seja qual for o estilo musical ou qualquer outro "produto" do mundo actual, o que vende ou tem sucesso tem o seu valor. Vale o que vale. Seja pela mestria no marketing, seja pela capacidade de cativar muitíssima gente, seja pelo que for, mesmo quando não tem qualidade aos olhos que quem não a vê (porque haverá sempre quem a veja), tem o seu valor. E hoje em dia, mais do que nunca, saber vender o que quer que seja (música, imagem, escândalos, óculos de sol cor-de-rosa em forma de artefacto das Caldas) é saber orientar-se no circo podre que é o mundo (musical ou não). Quando Herbert Spencer sumarizou todo o conceito de Charles Darwin na frase "survival of the fittest", sumarizou a realidade mais que óbvia (injusta ou não) do mundo. Todos podem ter asas mas nem todos vão conseguir voar.

A vida (musical ou não) é injusta e não cabe a nós fazer juízos de valor sobre quem aos nossos olhos (merecidamente ou não) conseguiu singrar. Desdenhar quem atinge o sucesso é uma doença do "underground" para a qual não me parece que haja vacina eficaz. Seja por falta de humildade, dor de cotovelo, teimosia, influência de outrem ou simples embirração. Saliento no entanto que todos têm o direito a deixar de gostar desta ou daquela banda, só não coaduna com a minha forma de ver as coisas o facto de "deixar de gostar porque agora toda a gente gosta" ou porque a banda em questão conseguiu algo que vai um pouco para além dos parâmetros do "underground".

É NA AFIRMAÇÃO A VERMELHO QUE SE DEVEM FOCAR POIS É O PONTO ESSENCIAL DO MEU POST.




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